Como a tecnologia vai afetar nosso comportamento

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A popularização da tecnologia e da internet somadas a total integração dos computadores com a nossa vida já mudou o mundo de maneira irreversível, e vai continuar mudando radicalmente a maneira como nos comportamos nos próximos anos.

Algumas tendências já estão acontecendo e você já consegue sentir no dia-a-dia. A onipresença da internet móvel, os computadores de bolso – tablets e celulares – e gadgets são algumas das grandes apostas. Mas a verdade é que esses equipamentos são só uma consequência do avanço tecnológico e de como a web está cada vez mais entrelaçada com as nossas vidas pessoais e profissionais. Em breve, a internet simplesmente existirá e não será mais uma coisa à qual você se conecta, como a energia elétrica da sua casa que está sempre ali. Integrada a todos os equipamentos da sua casa, todos seus bens, ao espaço urbano e aos ambientes que você visita, é possível imaginar como a rede pode revolucionar completamente nossa relação consigo mesmo e com o mundo.

“Não estamos mais encurvados em mesas com computadores gigantes e sim andando na rua. Diagnósticos de LER e problemas de coluna vão diminuir e as pessoas vão sair mais para rua, ao ar livre”, apontou Alexandre Matias, jornalista especializado em cultura digital, ex-editor do caderno Link, do Estadão, e da revista Galileu. A mobilidade também poderá ser um fator que vai mudar nossa relação com o trabalho. “[Vão acabar] os vínculos trabalhistas, local e horário de trabalho tradicionais. Inevitavelmente vai acabar a noção de fim de semana e dia útil e os congestionamentos vão diminuir”, diz ele, só para citar exemplos de como essas mudanças podem afetar nosso cotidiano dentro dos próximos 15 anos. Com o fim do ambiente de trabalho, acredita Matias, podemos estar a caminho de uma revolução no modo de trabalho: cada vez mais gente vai aprender a tirar seu ganha pão de atividades proporcionadas pela internet.

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Um computador, assim como um tablet ou um celular, são apenas interfaces que nos conectam à rede. Isso significa que na medida em que eles diminuem e se integram ao nosso corpo, a internet se tornará invisível. Isso vai mudar até nossa relação com o espaço urbano e principalmente com a privacidade, de acordo com Bia Granja, co-fundadora do youPIX e especialista em cultura digital e interatividade.

Você se sente invadido na sua privacidade quando usa o Facebook ou o Instagram para registrar seu dia-a-dia ou quando faz check-in no Foursquare e seus amigos passam a saber onde você está? A maioria de nós não se sente. Nossa relação com o que é privacidade já mudou e, em breve, o conceito deve se diluir ainda mais.

“Documentar tudo, conectar tudo e compartilhar tudo está começando a banalizar as experiências”, explica Bia. A especialista aponta que, com a web integrada a todas as coisas, compartilharemos e registraremos ainda mais e isso pode gerar uma confusão na hierarquia das experiências importantes da vida.

De acordo com Matias, a educação também está em constante transformação – a parte preocupante é que a escola e a educação formal têm dificuldade em acompanhar a velocidade com que a educação está se transformando. Hoje, é possível estudar qualquer coisa online. Em breve, certificados online, portfólios e uma extensa pesquisa do seu histórico nas redes sociais serão muito mais importantes para arrumar emprego do que um diploma universitário e as pessoas vão se preocupar mais com esses formatos educacionais.

O empresário Ian Black, diretor da New Vegas, agência de mídias sociais, concorda. Ele diz que quando anuncia vagas na empresa, não se importa com o estudo formal do candidato. “O que importa é o que elas sabem e o que viveram. As pessoas se preocupam demais com os 4 anos de uma faculdade e esquecem que antes disso as pessoas já estudaram no mínimo 12 anos de forma regular, o que já é de grande ajuda para a formação profissional do indivíduo”, explica.

Agora imagine todas essas mudanças influenciando nosso cotidiano. As pessoas estudando e trabalhando em casa, vivendo mais a cidade em horários diversos, com mais qualidade de vida. Indivíduos vão quantificar seus dados de saúde no dia-a-dia, com aparelhos implantados embaixo da pele, e esses dados serão enviados automaticamente para o seu médico de confiança, que vai alertar a hora de fazer checkup. Quando os aparelhos diminuírem tanto a ponto de serem invisíveis – como um pequeno aparelhinho implantando no cérebro ou dentro da orelha – nos comunicaremos com eles não através de um teclado, mas de comandos de voz, e daqui a 50 anos crianças vão olhar para um mouse assim como as de hoje olham para um disquete. O futuro promete.