Processamento de dados: tudo o que você precisa saber

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Quando Wolfgang von Kempelen inventou O Turco, máquina automática de jogar xadrez, ninguém no então Reino da Hungria, em 1769, imaginava que, na verdade, a engenhoca possuía espaço interno para acomodar um mestre no jogo de lógica, que dava os comandos da partida contra o jogador na parte de fora. Ninguém também poderia imaginar, embora a ideia fizesse parte da brincadeira, que um dia a humanidade inventaria máquinas capazes de vencer, sem truque ou simulação, partidas de xadrez contra campeões mundiais.

O Turco é a primeira máquina de jogar xadrez de que se tem registro na história. Mas o futuro parece ter evoluído rapidamente desde os tempos de Wolfgang von Kempelen e as máquinas de xadrez ganharam, principalmente a partir da segunda metade do século 20, correspondência direta com o desenvolvimento dos processadores de computador.

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Os microprocessadores modernos consistem em circuitos integrados e realizam as funções de cálculo e de tomada de decisão de um computador. São responsáveis por definir a “inteligência” da máquina, como se fossem o cérebro do computador. A evolução dos processadores permite às máquinas se tornar cada vez mais eficientes na assimilação de dados e tomadas de decisão, qualidades essenciais em uma partida de xadrez.

Por isto, desafios entre homens e máquinas em jogos de xadrez se tornaram, a cada ano, mais recorrentes depois do lançamento do primeiro microprocessador comercial, pela Intel, em 1971. Com o tempo, os desafios viraram símbolos de eficiência das empresas de tecnologia. Foi assim com o Deep Blue, computador desenvolvido pela IBM que, em 1996, se tornou a primeira máquina a vencer uma partida de xadrez contra um campeão mundial no jogo, o russo Garry Kasparov. Um ano depois, uma versão melhorada do Deep Blue, capaz de processar 200 milhões de possibilidades de jogadas em um jogo de xadrez a cada segundo, voltou a vencer Kasparov em uma partida nos Estados Unidos.

O Deep Blue, mais tarde, virou artigo de museu no Smithsonian, em Washington, e inspirou a construção de novas máquinas para desafiar a mente humana, como o Watson. O investimento em iniciativas como estas contribui para que a IBM tenha, hoje, 4 máquinas entre os dez mais rápidos supercomputadores existentes no mundo. O de maior velocidade é o Sequoia Blue Gene/Q, com processador Power BQC 16C 1.6GHz, de acordo com a Top 500, que atualiza a lista dos computadores mais velozes duas vezes ao ano.

Outra conhecida empresa a figurar na lista dos 10 mais velozes é a norte-americana Dell, cujo supercomputador Stampede possui um processador Xeon e5-2680 8C 2.7GHz, posicionado em sétimo lugar entre os mais rápidos.

Mas o atual posto de máquina mais veloz do mundo é um projeto da Universidade Nacional de Tecnologia da Defesa (NUDT, na sigla em inglês) da China. Alocado no Centro Nacional de Supercomputador de Cantão, no sul do país, o Tianhe-2 usa um processador Intel Xeon E5-2692v2 12C 2.2GHz. A máquina tem capacidade para fazer quadrilhões de cálculos a cada segundo, muito mais do que podia processar o Deep Blue, da IBM, em 1997.

Até que ponto poderá chegar a velocidade de processamento de dados e, consequentemente, a capacidade de inteligência dos computadores? A experiência até o momento indica que ainda há muito para ser desenvolvido, ao mesmo tempo em que também se refinam as aplicações práticas já possíveis com os supercomputadores atuais.

Bom exemplo da ambição dos cientistas para o futuro é o Projeto do Cérebro Humano (Human Brain Project, do inglês), iniciativa que integra uma rede de pesquisadores e mais de 100 instituições na União Europeia para desenvolver plataformas de tecnologias da informação capazes, entre outras coisas, de simular o cérebro humano, de mapear doenças cerebrais e de desenvolver sistemas de computação e de robótica inspirados no cérebro humano. Outra meta é “impulsionar o potencial revolucionário de pesquisas”.

Diante de tamanha investida nos limites da computação, fica difícil imaginar um futuro com a vitória de humanos em partidas contra máquinas, hoje ainda disputadas. Será que, em alguns anos, nunca mais venceremos dos computadores em jogos de xadrez?