Robôs farão parte da sua rotina de trabalho em breve

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As máquinas e computadores vão evoluir cada vez mais rapidamente e tirar empregos de seres humanos no futuro? Embora não exista uma resposta exata para esta pergunta, há pesquisas indicando que, sim, os robôs podem tornar vulneráveis certas posições de trabalho nos próximos anos. Mas, dizem especialistas, isto não é motivo para ligar o alerta vermelho. Afinal, o mundo já passou por duas revoluções industriais e viu a produção nos campos ser mecanizada. No passado, muitos empregos sumiram – e vários outros foram criados.

Um estudo publicado em setembro de 2013 por pesquisadores da Universidade de Oxford, porém, chegou à conclusão de que 47% das vagas de emprego nos Estados Unidos estarão ameaçadas, pelos próximos 20 anos, em decorrência da crescente automatização dos postos de trabalho. Para chegar a esta proporção, que coloca em cheque praticamente metade da força de trabalho norte-americana, os pesquisadores do Reino Unido avaliaram o impacto da informatização em cerca de 700 profissões distintas.

Baseados em uma escala de posições mais ou menos vulneráveis à informatização, os estudiosos descobriram ocupações com baixo risco de ameaça, como terapeutas ocupacionais e assistentes de saúde, e também as que correm grande risco, como bibliotecários e operadores de telemarketing, por exemplo.

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A pesquisa também indica que não apenas trabalhos manuais e operacionais poderiam ser afetados no futuro. Graças ao êxito e à importância gradativa do Big Data, ou seja, da visualização de enormes quantidades de dados, a tecnologia da informação também deve influenciar diversas posições de trabalho que exigem capacidade cognitiva, de acordo com o estudo. Por isso, vagas em logística, transporte e administração também estariam ameaçadas pelo avanço dos robôs e da inteligência artificial.

Para aumentar a polêmica, o fundador da Microsoft, Bill Gates, disse em evento em março deste ano, nos EUA, que a demanda por empregos deverá ser menor dentro de 20 anos. “A substituição por sofwares, seja para motoristas, garçons ou enfermeiras, está crescendo. A tecnologia vai diminuir a demanda por empregos, especialmente os que exigem menos habilidade. Não acho que as pessoas têm este modelo em mente”, disse ele.

Mas estas são previsões para o mercado de trabalho nos Estados Unidos e, embora sirva de referência, é importante lembrar que a velocidade da informatização do emprego é mais ou menos acentuada dependendo do país. No Brasil, não há motivos para se preocupar, na opinião de Celso Niskier, diretor de tecnologia da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), reitor da UniCarioca e presidente do Conselho Empresarial de Educação da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ).

“É uma visão exagerada achar que a tecnologia vai simplesmente acabar com o emprego. Acredito que ela redefine o conceito de trabalho”, diz ele. Isso não significa, porém, que a informatização não causa impactos nas posições de trabalho, de acordo com o especialista. “Um deles é que o trabalho com a participação do ser humano se tornou muito mais abstrato. As pessoas trabalham mais na resolução de problemas e menos na mera reprodução manual ou mecânica que acontecia no passado”, defende.

Os operadores de telemarketing, apontados pelo estudo da Universidade de Oxford como bastante suscetíveis a perder o emprego no futuro, podem reinventar seu modo de trabalho, na opinião de Niskier. “As empresas de telemarketing já estão migrando para um trabalho maior de atendimento e vendas, já que o trabalho de voz e de repetição de scripts está sendo automatizado aos poucos. É uma atividade que depende da interação humana”.

“A inteligência artificial era uma promessa há 30 anos e acho que continua sendo, ela ainda é embrionária”, diz Niskier, para quem a evolução da tecnologia representa um novo mar de oportunidades para os trabalhadores. “Claro que os computadores estão adquirindo cada vez mais inteligência, diminuindo custos e aumentando a produtividade. Mas tudo que é deslocado de um lado cria oportunidades do outro”, conclui.