Seu próximo controle remoto será um ovo high tech

Twitter
Compartilhe:

Houve um tempo em que as pessoas levantavam do sofá para mudar o canal da televisão e o CDC 6600, com capacidade de processamento mais baixa do que qualquer dispositivo móvel atual, já chegou a ser o computador mais rápido do mundo. Com a evolução da Internet das Coisas, os cabos desaparecem e as funções dos computadores pessoais, que se limitavam a organizar planilhas e controlar agendas no passado, são completamente reinventadas. A multiplicação de produtos inteligentes parece não se intimidar com barreiras tecnológicas e a criatividade dita o que pode surgir. Por exemplo, um ovo high tech.

A ideia inusitada vem da chinesa Aico, que elaborou uma espécie de controle remoto universal acoplado dentro de um esqueleto de plástico no formato de um ovo. É só integrar a peça com o aplicativo, colocar o ovo na mesa de centro da sala e a empresa promete que você poderá descartar todos os outros controles. Televisão, ar condicionado, DVD e, na teoria, qualquer produto acionado por raio infravermelho poderia ser controlado por meio do ovinho. Basta configurar os comandos no aplicativo de celular.

Um protótipo foi lançado em maio deste ano e a Aico agora angaria interessados em investir no produto antes de ele ser fabricado. Até o momento, a empresa já arrecadou mais de 70 mil yuans na internet e deve entregar os primeiros exemplares em outubro. A ideia é bastante curiosa, mas não está sozinha no mundo.

Nos Estados Unidos, empreendedores da Color Tiger, baseada em Palo Alto, na Califórnia, desenvolveram o que a empresa chama de “a próxima geração dos controles remotos universais”. Eles precisavam de US$ 50 mil para viabilizar o projeto e lançaram a ideia do AnyMote no site de financiamento coletivo Kickstarter. As aplicações são muito semelhantes às do ovo da Aico e devem começar a sair do papel para as fábricas em breve. Apesar da campanha de financiamento ainda não ter acabado, a meta inicial já foi superada.

anymote remote controle smartphone

A investida da Color Tiger e da Aico parece ter atraído um bom número de pessoas interessadas e o produto que elas prometem para um futuro próximo indica que não é preciso reinventar a roda para pressionar a evolução da tecnologia. O que elas fizeram foi aproveitar tecnologias conhecidas em novos formatos. Se valem da possibilidade de controlar, por meio de um único dispositivo, uma quantidade cada vez maior de gadgets automatizados.

Diante desta fertilidade eletrônica, aquela sala da televisão sem controle remoto parece estar enterrada em um passado ancestral. Mas o que podemos esperar para um futuro mais distante? Só o tempo poderá mostrar os limites da criatividade humana, mas já é possível imaginar a junção de tecnologias existentes que podem remodelar a função das máquinas pessoais dentro de alguns anos.

Por exemplo: boa parte dos produtos desenvolvidos na Internet das Coisas se utiliza da conhecida RFID, ou identificação por radiofrequência, na sigla em inglês. A tecnologia é a mesma que permitiu, nos últimos anos, o aprimoramento de biochips, peças tão pequenas quanto um grão de arroz, que podem ser implantadas na pele e, configuradas, capazes de armazenar uma série de informações ou realizar comandos padronizados.

Um dos pioneiros e entusiastas no assunto é o norte-americano Amal Graafstra, que implantou nas mãos seu primeiro biochip em 2005 e configurou a peça para dar a partida no carro ou abrir a porta de casa sem a necessidade de usar chaves, por exemplo. As aplicações ainda são experimentais, mas já encontram curiosos e adeptos inclusive no Brasil.

Agora, imagine o casamento das possíves funções de um biochip implantado na pele com a praticidade prometida pela “próxima geração dos controles remotos universais”. Com um pouco de esforço e algumas experiências, talvez seria possível brincar de mago dentro de sua própria sala em alguns anos. Um biochip pessoal poderia servir de controle remoto para o ar condicionado, a televisão, um aspirador de pó robotizado, um (por que não?) cachorrinho de estimação eletrônico e por aí vai. Seria possível, talvez, abrir e fechar as cortinas à distância, com um simples movimento de braços… Uma coisa é certa: o futuro promete.