Empresas investem em embalagens sustentáveis

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Garrafas plásticas substituídas por membranas gelatinosas para guardar água, fécula de mandioca em vez de isopor, caixas de notebooks desenvolvidas a partir do processamento de cogumelos. Sim, o encontro da inovação tecnológica com a sustentabilidade, duas fortes tendências de negócios e de comportamento neste início de século, está definitivamente gerando produtos antes impossíveis de imaginar. E, em alguns casos, sugerindo aplicações que ainda não existem. Mas, quem sabe no futuro? Os exemplos mostram que é possível.

Nesta corrida ecológica da tecnologia, há uma atenção crescente voltada para as embalagens, que ganham investimento em pesquisa e despertam a consciência ambiental de consumidores e empresas. Afinal, para haver desenvolvimento sustentável, é necessário descartar adequadamente os resíduos gerados a partir da aquisição de novos produtos.

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Parte da dedicação à descoberta de novas formas de desenhar embalagens vem das mentes de pesquisadores e designers criativos. Como é o caso da Ooho, uma espécie de “garrafa” de água que não utiliza material plástico. Trata-se de uma membrana gelatinosa comestível capaz de armazenar líquido que poderia substituir a garrafinha de água como a conhecemos. A ideia foi desenvolvida pelos designers Pierre Paslier, Guillaume Couche e Rodrigo Garcia González no Skipping Rock Labs e foi uma das vencedoras do Prêmio de Design Lexus de 2014. Para ser viável comercialmente, o projeto ainda deve evoluir.

Outro exemplo curioso é da jovem turca Elif Bilgin, que desenvolveu no colégio uma pesquisa para criar um tipo de plástico biodegradável a partir da reciclagem de cascas de banana. O que começou em Istambul acabou ganhando destaque na Google Science Fair e a ideia ainda recebeu premiação especial da Scientific American.

Mas nem sempre a boa ideia vem a partir da dedicação científica e da pesquisa. Às vezes, é questão de acertar o tom em uma embalagem aproveitando recursos já existentes. É o caso da Green Box, caixa de pizza desenvolvida nos Estados Unidos com o redesenho de papelão reciclado. Um detalhe importante: a caixa tem uma série de marcações e se transforma em pratos e até em bolsinha para guardar sobras do alimento.

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Botiá -Aglomerado desenvolvido a base de fibra de coco e amido.

No Brasil, também existem projetos consolidados e em fase inicial de operações. Bons exemplos são a Yba Design e Pesquisa, que desenvolveu uma embalagem para armazenar frutas feita a partir de aglomerados de fibras de coco, e a Oka Bioembalagens, sediada em Botucatu, no interior de São Paulo. A fabricante usa um produto tipicamente brasileiro, a mandioca, como solução para substituir o isopor em embalagens para alimentos, cosméticos e produtos eletrônicos. A tecnologia de injeção de fécula de mandioca foi desenvolvida no ambiente do Centro de Raízes e Amidos Tropicais (Cerat) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e hoje segue pelo esforço da empreendedora Érika Cardoso.

Não são apenas ideias em fase inicial de operações que compõe o universo das embalagens sustentáveis. Aplicações em larga escala, ainda que em caráter de experiência, já são desenvolvidas por grandes corporações. Não seria possível imaginar notebooks embalados em caixas feitas a partir da fibra de bambu alguns anos atrás, por exemplo. Mas a planta tem sido utilizada, desde 2009, em um projeto pioneiro da Dell. Mais recentemente, a gigante da tecnologia também anunciou o uso de uma embalagem elaborada a partir do processamento de cogumelos. A ideia inovadora serve para embalar desktops e servidores, produtos de maior tamanho, e faz parte de um plano de sustentabilidade ambicioso, que pretende garantir que, até 2020, todas as embalagens da empresa sejam provenientes de fontes recicláveis e renováveis, em uma tentativa de eliminar o lixo da cadeia produtiva.

O assunto também é fonte de atenção na Unilever, uma das maiores empresas de bens de consumo do mundo, que ocupou o primeiro lugar em 2014 no estudo Sustainability Leaders Report, gerido pela GlobeScan, instituição de pesquisa e opinião. Para administrar a quantia gigantesca de resíduos associados a sua cadeia de consumo, a empresa estabeleceu que pretende reduzir o peso de suas embalagens em um terço até 2020. As estratégias adotadas para chegar a esta meta são a criação de materiais mais leves, a otimização das estruturas e de materiais, o desenvolvimento de versões concentradas de produtos e a eliminação de embalagens desnecessárias.

São planos ambiciosos, é claro, mas que estão alinhados com o nobre e cada vez mais importante conceito do consumo consciente, valorizado por marcas e consumidores. Pode ser um plástico feito a partir de banana ou uma caixa que nasceu do processamento de cogumelos. Os benefícios da parceria entre tecnologia e sustentabilidade vieram para ficar.