Como serão as fábricas do futuro?

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Se estamos cada vez mais acostumados a dividir espaço com as máquinas dentro de casa, isto também é verdade para as fábricas. A quantidade de robôs trabalhando no lugar de operários multiplica a cada ano e já há pesquisas que mostram como algumas profissões podem estar ameaçadas por conta disso (Saiba como os robôs farão parte de sua rotina). Claro que os robôs não se espalham de maneira generalizada e algumas indústrias, como a automotiva, se valem mais do que outras dos benefícios da automação, que cresceu muito em 2013.

De acordo com relatório da Federação Internacional de Robótica (IRF, na sigla em inglês), cerca de 179 mil robôs industriais foram vendidos em 2013, um crescimento de mais de 12% em relação ao ano anterior. A China, segundo o balanço da IRF, é o país que mais investiu na automação, comprando 37 mil unidades no ano passado – ante pouco menos de 1500 compradas pelo Brasil. Já o Japão é o maior exportador de robôs e também o país com as fábricas mais automatizadas do mundo, com mais de 300 mil robôs industriais em operação, de acordo com o relatório.

Com base nestes números expressivos, é possível imaginar que as fábricas do futuro contarão cada vez menos com a presença de seres humanos na linha de produção. Bom exemplo é a fábrica da Audi em Ingolstadt, na Alemanha, que tem cerca de 800 empregados e praticamente o mesmo número de robôs industriais, que fazem a maior parte do trabalho pesado e operacional.

A fábrica opera em parceria com a KUKA, que produz robôs industriais, e ambas atuam em conjunto com o Fraunhofer, grupo de mais de 60 institutos de pesquisa que indústria e governo estimulam para facilitar a inovação na Alemanha nos próximos anos.

Na China, em que a incorporação de robôs em fábricas é crescente, o caso da Flextronics exemplifica uma transição que pode se espalhar por outras partes no país. Original de Cingapura, a empresa produzia pequenos produtos eletrônicos em duas fábricas na cidade de Suzhou, próxima a Xangai. Em 2006, com o custo da mão de obra mais alto e uma crescente competição, as fábricas foram modernizadas para produzir eletrônicos de maior valor agregado, como peças para robótica ou indústria aeroespacial.

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Para fazer isto, a Flextronics investiu em automação, instalou robôs industriais, treinou funcionários para trabalhar com as novas máquinas e ergueu um telão de LCD para criar um painel que mostra em tempo real informações de controle de qualidade. Engrossa, desta forma, a eficiência de um sistema de fabricação de produtos high tech responsável por exportar US$ 150 bilhões em 2003 e US$ 600 bilhões em 2012, segundo estatísticas da Fundação Nacional da Ciência nos Estados Unidos.

Assim como o painel de LCD da Flextronics, outra fábrica que coleta, armazena e analisa dados de sua linha de produção é a Rolls Royce, cuja planta no estado da Virginia, nos EUA, tem presença quase residual de seres humanos. Por lá, uma máquina de US$ 1,5 milhão cuida de parte da fabricação de discos que, depois, são enviados para Inglaterra, Alemanha ou Cingapura, onde se integram a milhares de partes que compõe o motor de um carro. A empresa cataloga dados de toda a cadeia produtiva e mantém as informações por 25 anos, sendo capaz de identificar cada peça e etapa dos processos.

Além dos robôs industriais, que se adaptam ano a ano em atividades cada vez mais específicas, outro campo que deve ganhar espaço crescente nas fábricas do futuro é o das impressoras 3D (Veja 4 maneiras como impressoras 3D mudarão sua vida). Também conhecida como prototipagem rápida, a tecnologia é usada nas fábricas desde os anos de 1980, mas tem sido aplicada de maneira mais acelarada nos últimos anos.

As indústrias automotiva, médico e odontológica, aeroespacial, de máquinas industriais e de bens de consumo são algumas das que mais se aproveitam das impressoras 3D, geralmente para fazer peças que facilitam o processo de produção.