Armazenando dados mil vezes mais rápido

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A quantidade de dados que podemos armazenar hoje parece infinita se comparada a apenas alguns anos atrás. Isto porque a tecnologia evoluiu gradativamente e é possível guardar mais informações em dispositivos cada vez menores. Mas a velocidade com que os bits podem ser transmitidos não acompanhou a mesma desenvoltura da capacidade de armazenar dados. Uma nova pesquisa, porém, pode ajudar a acelerar as transmissões no futuro.

“O número de bits cresceu rapidamente por muitos anos, mas a velocidade de gravação não aumentou muito e existe a necessidade de se desenvolver uma nova tecnologia”, diz Sjors Schellekens, da Universidade de Tecnologia de Eindhoven, na Holanda. Doutor em física aplicada e especialista em lasers, Schellekens é um dos autores do estudo “Acelerando o armazenamento de dados em mil vezes com correntes spin”, publicado em julho deste ano.

O título do estudo pode parecer um pouco complicado, mas faz referência à spintrônica, ou “eletrônica baseada em spin”, também conhecida como magnetoeletricidade, tecnologia que se aproveita de uma propriedade quântica dos elétrons de girar (spin, do inglês). Mas como funciona o mecanismo que permitiu aos pesquisadores acelerar a transmissão de dados? Para responder, é preciso conhecer o funcionamento de um HD.

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Um hard drive armazena bits no formato de pequenos domínios magnéticos. Hoje, os discos usam corrente elétrica para criar campos magnéticos. Quando mais forte é o campo magnético, maior a velocidade de gravação de dados. “Mas apenas até um limite, que agora já foi quase alcançado”, explica Schellekens. Para ir além deste limite, a pesquisa se valeu de uma propriedade especial dos elétrons, o spin.

Usando pulsos de laser super rápidos, os pesquisadores conseguiram gerar um fluxo de elétrons sobre um material que tem a mesma frequência de spin em diferentes camadas, o que trocou a orientação do magnetismo em uma das camadas. O tempo de pulso de laser aplicado na pesquisa é de aproximadamente 100 fentossegundos (unidade que corresponde a um milionésimo de um bilionésimo de segundo). “Isto é mais de 1000 vezes mais rápido que o tempo de pulso usado hoje para trocar a orientação magnética em um hard drive”, explica Schellekens. “O resultado encontrado na pesquisa é uma descoberta científica que talvez um dia possa ser interessante para a indústria”, diz ele.

A proposta do estudo parece ir de acordo com as necessidades do mundo tecnológico. Afinal, se você tem um HD capaz de armazenar quantidades enormes de dados, é interessante que a velocidade de transmissão de bits também seja muito alta. Vale lembrar que a tecnologia de armazenamento evolui muito rápido.

Se o problema de falta de espaço para guardar arquivos aparenta estar próximo de um fim com o anúncio de novos dispositivos capazes de guardar muita informação, os preços destes produtos com tecnologia de ponta ainda não são muito amigáveis. O tempo e novas descobertas, porém, ajudarão a baratear os custos de produção. No futuro, quem sabe, teremos toneladas de informação em uma peça menor do que uma unha e seremos capazes de transmitir dados em velocidades nunca antes imaginadas. “Mas pode levar anos até que a transmissão super rápida por spin possa ser usada”, conclui Schellekens.