Agricultores usam drones para monitorar plantações

Twitter
Compartilhe:

Se a mecanização do trabalho no campo representou um importante avanço tecnológico no passado, a próxima barreira a ser conquistada parece estar nos ares. De acordo com especialistas, o avanço da tecnologia e o custo cada vez mais baixo tem impulsionado na agricultura a utilização de drones e vants, aviões não tripulados com piloto automático. Aumentam assim a eficácia e a aplicação da conhecida agricultura de precisão.

O assunto é objeto de estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) desde 1998, que agora foca no desenvolvimento da análise de imagens captadas pelos aviões para munir o agricultor de informações que lhe permitem ver detalhes de sua plantação e agir de forma pontual. Na prática, câmeras levadas por drones e vants geram imagens que, depois de analisadas, mostram se há doenças nas plantas e se há áreas desmatadas. Pelo uso da tecnologia, que está crescendo mais rápido nos últimos dois anos, também é possível fazer a contagem de quantas árvores existem na plantação.

“Houve um salto no interesse por drones e vants mais recentemente, por conta da maior distribuição de equipamentos e de sistemas mais baratos disponíveis”, diz Lucio Castro Jorge, doutor em engenharia elétrica e pesquisador da Embrapa. “Agora, se desenvolvem ferramentas com câmeras que enxergam o que o olho não pode ver”, diz.

Leia mais:
4 maneiras como impressoras 3D mudarão sua vida
Conheça a tecnologia que movimenta o seu dia a dia

“A gente instala no vant uma câmera multiespectral, capaz de fazer fotos que captam espectros de frequência diferentes do RGB. Como cada planta reflete uma onda específica e o olho humano não consegue ver todas as cores refletidas, são estas câmeras que ajudam a ver o que nosso olho não pode”, explica Kalinka Branco, professora e pesquisadora do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos, no interior do estado, onde o assunto também tem recebido crescente atenção. “Se a planta está sadia, ela reflete de um jeito. Mas se está doente, reflete de outro e é isso que permite indicar com exatidão aonde o agricultor precisa trabalhar”, diz ela.

Em testes realizados perto da cidade de Bauru, em São Paulo, a equipe do ICMC avaliou que a eficiência do trabalho do agricultor pode melhorar muito se drones e vants forem integrados com softwares de análise de imagem, cujo desenvolvimento ainda está em curso. O valor de investimento em novos equipamentos seria compensado pela rapidez decorrente do avanço das tecnologias. De acordo com a pesquisadora, um trabalho que hoje é feito em terra poderia ser feito por vants em muito menos tempo.

“Hoje em dia tudo é feito a pé no meio da plantação. Se a gente pegar uma pessoa muito experiente para fazer uma busca em áreas infectadas, em 20 minutos, eles conseguem averiguar 500 árvores por amostragem. Em 20 minutos com o vant, a gente é capaz de margear 56 hectares”, explica Kalinka Branco. “E a precisão é enorme, porque em 15 minutos você sabe pelo aplicativo o total de plantas sadias e não sadias em uma área”.

Grandes extensões de terra tem se aproveitado das novas tecnologias com mais ênfase, de acordo com o pesquisador da Embrapa, Lucio Castro Jorge. Aplicações iniciais davam conta apenas da possibilidade de ver imagens aéreas das culturas, captadas por drones controlados remotamente a partir da sede de fazendas. “Mas hoje já há grandes propriedades de cana de açúcar, empresas de reflorestamento, culturas de grãos e de algodão que estão usando drones e vants para encontrar falhas nas plantações”, diz ele.

“Um sinal de que o uso destas tecnologias está crescendo rapidamente no Brasil é a quantidade de consultas que a gente recebe lá na Embrapa”, afirma Jorge. “Há muito agricultor querendo saber qual o melhor equipamento a ser comprado”. De acordo com o pesquisador, existem “por baixo” 200 iniciativas no Brasil para o uso de drones e vants na agricultura. E o número só deve aumentar em um futuro próximo.